Bom Senso quer clubes gastando até 70% do orçamento com salários e reforços

Por Bernardo Itri

CBF e Bom Senso estão próximos de um acordo sobre a formatação da lei que refinancia as dívidas fiscais dos clubes, mas um ponto ainda causa divergência. Os atletas querem que os clubes se comprometam a gastar, no máximo, 70% de seu orçamento anual com o futebol profissional –leia-se salários e contratações– e invista o restante em áreas como as categorias de base. Os clubes, porém, ainda relutam em aceitar a limitação.

Questão de tempo. O Bom Senso sustenta que a aplicação de um teto de gastos com o futebol é uma medida que vai contribuir para a gestão dos clubes a longo prazo. O movimento acredita que, apesar das diferenças com os cartolas, o acordo sobre este tema deve sair nos próximos dias.

Gasto contido. Outra limitação proposta pelo Bom Senso, mas que desta vez foi aceita pelos clubes é referente à antecipação de receitas, prática comum dos dirigentes e que vem desidratando as finanças dos times. O acordo prevê que o presidente de uma agremiação só pode antecipar até 30% das receitas do primeiro ano de gestão de seu sucessor. Hoje, contratos longos são antecipados.

Relógio. A CBF e o Bom Senso pretendem enviar à Casa Civil e ao Ministério do Esporte até a próxima semana todos os pontos acordados para a redação final do projeto de lei que refinancia as dívidas fiscais dos clubes. Ainda não há previsão para que o texto seja votado.

Taxa… Dispensados do Botafogo e impossibilitados de atuar em outros clubes brasileiros da elite até dezembro, Emerson e Julio César tentam se transferir para equipes do exterior, com contratos curtos.

…de desemprego. Reinaldo Pitta, agente de Emerson e de Julio César, diz que a intenção é encontrar clubes estrangeiros para que eles não fiquem parados até janeiro, quando os times brasileiros voltam à atividade. Pitta espera ainda que a assinatura do distrato dos atletas com o Botafogo seja selada até esta quarta-feira (8).

Autonomia… O presidente do São Paulo Carlos Miguel Aidar quer criar um fundo de investimento do clube para auxiliar na contratação de jogadores. A proposta é que, a partir da nova regra da Fifa que proíbe investidores de terem jogadores, o São Paulo ganhe poder econômico próprio para efetuar as transações.

…tricolor. Aidar entende que a criação do fundo é uma alternativa para que o São Paulo não seja tão afetado com a nova regulamentação da Fifa. O clube, por exemplo, já demonstrou estar disposto a pagar ao Corinthians a multa rescisória para ter Alexandre Pato em definitivo. No entanto, esta operação custará à equipe € 10 milhões em janeiro.

Longe. A eleição de Andres Sanchez (PT-SP) para deputado federal afasta de uma vez o movimento que se ensaiava para o retorno dele à presidência do Corinthians. Nas duas próximas eleições (2015 e 2018), pelo menos, o petista não estará concorrendo à presidência do clube, algo que se previa caso ele não fosse eleito deputado.

Perto. Por outro lado, a leitura no Corinthians é que, mais poderoso com sua eleição, Andres Sanchez siga dando as cartas no Parque São Jorge, mesmo à distância. O deputado eleito deve, por exemplo, trabalhar até fevereiro na campanha para eleger seu aliado, Roberto de Andrade, como o sucessor do presidente Mário Gobbi.

Missão. Andres ainda deve conduzir a administração do Itaquerão, inclusive a negociação pela venda dos “naming rights” do estádio, pelo menos até janeiro.

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