Regra no estatuto pode evitar que Santos perca percentual de novatos

Por Bernardo Itri

O Santos estuda a possibilidade de reverter na Justiça as vendas de parte dos direitos econômicos de Gabriel, Geuvânio e Daniel Guedes ao fundo de investimento Doyen Sports, feito pela gestão anterior. Os advogados tentam usar artigo do estatuto do clube que proíbe um presidente em fim de mandato de negociar os direitos federativos de um jogador 90 dias antes de deixar o cargo sem consulta ao Conselho Deliberativo.

Interpretação. O problema é que o estatuto diz direitos federativos, e a venda foi dos direitos econômicos. A atual diretoria acha que essa “pegadinha” foi feita de propósito, para dar liberdade ao presidente negociar fatia de atletas. O jurídico imagina ser possível mostrar que a venda do direito econômico é mais prejudicial ao clube.

Grana alta. Modesto Roma, presidente do Santos, informou que teria direito a antecipar este ano R$ 80 milhões do contrato de direitos de transmissão de 2016, mas pretende não usar para não complicar ainda mais a situação financeira do clube.

Desespero. O cartola disse que só pegará o dinheiro em caso de necessidade extrema, e neste caso somente mais para o final de 2015. A antecipação é feita por um banco, e tem como garantia documento que prova que o Santos terá direito à cota em 2016. O problema é que o banco cobra juros em cima do valor, o que aumentaria a dívida do clube.

Contragosto. Para mostrar que dará autonomia às novas diretoria e comissão técnica do futebol, o presidente palmeirense Paulo Nobre aceitou ir atrás do atacante Rafael Marques, no futebol chinês, mesmo sem ser fã número 1 da qualidade técnica do jogador. Uma das principais críticas a Paulo Nobre no primeiro mandato foi a de centralizar decisões.

Apoio. Alexandre Mattos, novo diretor contratado por Paulo Nobre, apoia o técnico Oswaldo de Oliveira na contratação de Rafael Marques, o que também fez Nobre ceder na contratação. Oliveira considera o atacante um atleta com QI acima da média.

Esquentou. As mudanças em cargos de diretoria que o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, promoveu nos últimos dias, prometem agitar a reunião do Conselho Deliberativo, dia 2 de fevereiro. Membros da situação esperam ataques de conselheiros da oposição.

Contra o tempo. As chapas dos candidatos para a eleição do Corinthians, que será em fevereiro, devem ser inscritas até o dia 17 de janeiro, mas até agora nenhum dos quatro pré-candidatos oficializou a candidatura. Há ainda costura para definição dos vices.

Disputa. São pré-candidatos Roberto de Andrade, pela situação, e os conselheiros oposicionistas Paulo Garcia, Ilmar Schiavenato e Antonio Roque Citadini.

Discussão. Na próxima quinta (15), haverá uma mesa de debates, em Portugal, para discutir a mudança na regra da Fifa que proíbe empresas de terem participação nos direitos econômicos dos jogadores. O evento é patrocinado pela federação portuguesa, que defende um maior tempo de adaptação dos clubes, movimento que também existe no Brasil.

Lados opostos. Participarão da mesa, entre outros, o advogado brasileiro Marcos Motta, que faz parte do grupo de estudos da Fifa sobre o caso, e o presidente da Uefa, Michel Platini, defensor da proibição imediata da participação de terceiros. Foi a entidade europeia quem sugeriu a data de maio para início do banimento, enquanto outras confederações pediam mais tempo.

Colaboraram ALEX SABINO, GUILHERME SETO e RAFAEL VALENTE, de São Paulo

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