Aidar contrata empresa citada em investigação de cartel de trens e sofre críticas

Por Bernardo Itri

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, é alvo de nova polêmica dentro do clube. O problema da vez é a troca da empresa de limpeza, realizada no fim do ano passado.

O São Paulo trocou a ISS pela Tejofran, citada na investigação sobre o cartel de trens de São Paulo. A mudança é questionada internamente porque diminui significativamente o número de funcionários de limpeza, mas não o custo.

Aidar assinou contrato com a nova empresa no dia 27 de novembro de 2014 com o custo mensal de R$ 298,1 mil. Pelo acordo, obtido pela Folha, 82 funcionários da empresa devem trabalhar na limpeza do clube. Ou seja, o custo por funcionário é de R$ 3,6 mil.

No entanto, a ISS propôs a renovação contratual com um custo menor na relação preço/funcionários. Previa 136 pessoas trabalhando e com gasto mensal de R$ 305 mil. Neste cenário, cada funcionário custaria R$ 2,2 mil ao clube.

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Procurado para comentar a decisão, Aidar, por meio de sua assessoria, informou que a Tejofran é uma empresa que está no mercado há tempos e que seu custo maior por funcionário se justifica. Argumenta que a Tejofran oferece um sistema mecanizado, o que não havia no contrato anterior. O clube alega que esse sistema ajudou muito na última enchente que o clube sofreu, no início do ano.

Ainda segundo a assessoria de imprensa, o São Paulo afirmou que, por causa dos dissídios, os preços das duas empresas são diferentes dos citados em contrato. Diz que a ISS custaria R$ 343 mil por mês e a Tejofran, R$ 332 mil por mês. Ainda assim, a relação preço/funcionário é mais vantajosa para a ISS: R$ 4 mil para a atual parceira, contra R$ 2,5 mil para a ISS.

A Tejofran se manifestou por meio de nota. Afirmou que obteve “contrato com o São Paulo Futebol Clube por meio de concorrência” e que “os termos do contrato foram aprovados pelo Conselho Deliberativo da agremiação”.

Alegou ainda que “além de ser um contrato financeiramente favorável ao clube, é incorreto fazer a comparação de custo baseada no número de funcionários, sem considerar os ganhos de qualidade, produtividade e eficiência obtidos pela adoção de tecnologias e novos maquinários”. Sobre ser investigada, a Tejofran nega “com veemência” ter participado de cartéis e disse que “encaminhou defesa a todas as autoridades competentes e aguarda com tranquilidade o desfecho das investigações”.